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Portimão financia para promover estratégia na habitação

Entre as medidas a adotar ao longo desta década, será facilitada em termos administrativos e tributários a construção de habitações para uso não turístico.

Teve lugar esta quarta-feira a cerimónia de homologação do acordo de colaboração entre o município de Portimão e o Governo no âmbito do 1º Direito – Programa de Apoio ao Acesso à Habitação. A cerimónia decorreu em formato digital e contou com a presença do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e da presidente da câmara de Portimão, Isilda Gomes, que apresentou a Estratégia Local de Habitação 2020-2030 para o município, que será viabilizada através do Programa 1º Direito.

Estruturada sob uma perspetiva integrada do que é o contexto da habitação do concelho, a autarca explicou que «a estratégia definida visa atender às necessidades sociais mais prementes e às que resultam da plena integração dos respetivos contextos habitacionais no conceito de grave carência habitacional. Para o efeito, foi analisado o contexto mais amplo das dinâmicas no mercado local da habitação e o circunstancialismo urbanístico existente, de forma a contribuir para uma perspetiva ampla de cariz económico e social sobre as necessidades de desenvolvimento equilibrado e sustentável de Portimão».

Segundo Isilda Gomes, «a falta de oferta imobiliária nos segmentos de baixo e médio rendimento tem por consequência a incapacidade de o concelho albergar trabalhadores e profissionais em áreas tão importantes como a saúde e o ensino, o que redunda na diminuição da competitividade de Portimão como localização empresarial e no aumento dos custos da mão de obra vinda de fora».

«Uma vez que a falta de arrendamento compromete a economia e o emprego no concelho e agrava a fatura social, a estratégia local para o setor da habitação define três objetivos primordiais, os quais visam tornar o mercado mais acessível, responder às carências habitacionais graves diagnosticas, na ordem dos 800 fogos, e reabilitar e requalificar o parque social municipal», realçou a autarca.

Entre as medidas a adotar ao longo desta década, será facilitada em termos administrativos e tributários a construção de habitações para uso não turístico, assegurando benefícios tributários aos proprietários que ofereçam arrendamentos para os segmentos baixo e médio e respondendo à previsível necessidade desse mercado, com a construção de cerca de 5000 novos alojamentos até 2030. Para responder às necessidades habitacionais mais graves e imediatas, vão ser em breve alojadas 572 famílias, o mesmo sucedendo a médio prazo com cerca de 300 agregados. Por outro lado, e além da reestruturação da gestão do parque social, vão ser construídos realojamentos volantes para responder às necessidades de reabilitação e requalificação, assim como uma residência semi-independente para complementar o apoio social existente no concelho.

Em paralelo, será criada a ARU – Área de Reabilitação Urbana sistemática e a ORU – Operação de Reabilitação Urbana do Bairro do Pontal e feito o respetivo projeto, estando igualmente
consagrada a criação de projetos integrados para cada um dos restantes bairros de habitação social a requalificar, nos quais avançarão obras de reabilitação, requalificação e renovação.

Até 2026, o município de Portimão prevê um investimento na ordem dos 85 milhões de euros, o que inclui a construção de cerca de 800 fogos e a reabilitação de 582 fogos. Já no âmbito do
Programa 1º Direito e do acordo de colaboração com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), até 2025 está previsto um investimento próximo dos 70 milhões de euros,
com a construção de 572 fogos.

«Vamos desde já disponibilizar um terreno municipal com 15 lotes, no valor de 1,5 milhões de euros e muito bem localizado, a que se seguirão outros terrenos. Estou confiante que este projeto em muito dignificará Portimão, o Algarve e o próprio país», concluiu Isilda Gomes

Para o ministro das Infraestruturas e da Habitação, «esta estratégia ambiciosa vai de encontro a um dos mais graves problemas nacionais e que afeta particularmente esta região turística, onde os problemas habitacionais são crónicos, pelo que se trata de uma oportunidade única, que Portimão está a agarrar com empenho e coragem».

Ao abrigo do programa 1º Direito, o acordo agora protocolado tem a duração máxima de seis anos e destina-se a apoiar soluções habitacionais para um total de 1154 agregados, correspondentes a 2621 pessoas que vivem no concelho em condições habitacionais consideradas indignas. O valor total do investimento governamental, que poderá ser a fundo perdido, foi estimado em 69.095.940,39 euros.

A terminar a sua intervenção, Pedro Nuno Santos destacou o facto de que os contratos de comparticipação para cada projeto, a desenvolver no âmbito do IRHU, serão celebrados entre 2021 e 2025, na sequência do acordo de colaboração agora concretizado e homologado pelo secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho, e pela secretária de Estado da Habitação, Marina Gonçalves.

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