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ARTES & ESPETÁCULOS

Obra do poeta e ficcionista são-brasense José Dias Sancho vai ser reeditada até 2024

O município de São Brás de Alportel e a Universidade do Algarve formalizaram ontem, segunda-feira, 11, uma parceria que visa “valorizar e reeditar”, até final de 2024, a obra de José Dias Sancho, ilustre poeta e ficcionista são-brasense falecido justamente neste dia há 92 anos.

A parceria foi formalizada na Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro, que marcou com este momento especial o início do ano em que celebra 20 anos de “atividade contínua ao serviço da comunidade, na defesa da cultura e dos autores são-brasenses”, salienta a autarquia, em comunicado.

O acordo foi assinado pelo reitor da Universidade do Algarve, Paulo Águas e pelo presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vitor Guerreiro, num breve momento testemunhado por José Uva, sobrinho neto de José Dias Sancho, em representação da família deste “ilustre e talentoso são-brasense que faleceu muito precocemente, deixando à sua breve mais intensa passagem pela vida, uma obra valiosa, que em muito se encontra ainda por descobrir e valorizar”.

A parceria tem na sua génese o trabalho de investigação que Sílvia Quinteiro, professora da Universidade do Algarve, tem vindo a desenvolver ao nível nas múltiplas possibilidades de intersecção entre as áreas científicas da literatura e do turismo.

Sílvia Quinteiro considera ser de “elevado interesse” o estudo e divulgação da obra de José Dias Sancho, através de uma edição atualizada da obra deste autor são-brasense, de modo a que esta esteja acessível ao público em geral, assim como a professores, estudantes e investigadores.

Uma ideia partilhada pelo município de São Brás de Alportel, que já em 2004 havia assinalado os 75 anos da sua morte com um programa de iniciativas que visava “estimular o interesse sobre a sua obra”.

Com este acordo de parceria, a autarquia compromete-se a publicar a edição atualizada pela Universidade do Algarve, composta por um conjunto de seis livros, de diversos matizes, dos contos às conferências, da crítica satírica à poesia e dos romances aos esparsos.

O acordo prevê que os seis livros estejam publicados até ao final de 2024, estando para breve a publicação do primeiro volume.

Advogado, poeta e ficcionista, José Dias Sancho nasceu em São Brás de Alportel a 22 de abril de 1898. Faleceu em Faro, a 11 de janeiro de 1929.

Muito precoce, desde adolescente que José Dias Sancho produzia poesia de grande qualidade e revelava o seu sentido de humor crítico, que igualmente expressava através da caricatura.

Aos 16 anos, escreveu para uma festa do Liceu «A Ceia dos Cábulas», uma paródia à «Ceia dos Cardeais», de Júlio Dantas.

Anos mais tarde, voltou à crítica da obra de Júlio Dantas no livro «Ídolos de Barros» (2.º volume).

Foi um dos fundadores do Correio do Sul e colaborou com muitos jornais da região, nomeadamente na Folha de Alte, na Vida Algarvia e na revista Costa de Oiro, de Lagos, onde, entre outros trabalhos, publicou o conto infantil «No Reino dos Bonecos».

Em Lisboa, escreveu para o Diário de Notícias, para o Diário de Lisboa, para o Século e para A Situação, de que foi diretor. Enquanto estudante universitário da Faculdade de Direito, em Lisboa, colaborou no Académico, um jornal quinzenário defensor dos interesses académicos.

Licenciou-se em 1926 mas não chegou a exercer advocacia. Foi oficial nomeado nos Registos Civis de Ourique e de São Brás de Alportel.

Casou com Maria Helena Pousão Pereira Dias Sancho, filha do poeta João Lúcio, com quem teve uma filha, Maria Luzia, a quem é dedicado o conto «El-Rei-bébé».

À data da sua morte, a 11 de janeiro de 1929, era conservador do Registo Civil de Faro.

A Câmara Municipal de São Brás de Alportel atribuiu o seu nome a uma das principais artérias da vila e imortalizou a sua poesia numa das bonitas fontes do concelho, a Fonte da Silva.

“Da prosa típica e genuinamente algarvia, poeta romântico, a sua obra literária marca um dos valores mais notáveis da moderna geração, merecendo da crítica portuguesa, as mais lisonjeiras referências, considerado entre os grandes da literatura: Cândido Guerreiro, Ferreira de Castro, Sousa Costa e Norberto Araújo”, salienta a autarquia.

Deixou publicadas as seguintes obras: «Canções de Amor», coletânea de poesias; «Serenata de Mefistófeles», obra de poesia satírica, em quadras; «Deus Pan», contos rústicos; «El-Rei-Bébé», dedicado à sua filha, que herdou o seu dom da poesia e o gosto pelo desenho; e «Bezerros de Ouro», romance que ainda hoje pode ser encarado como de crítica social da atualidade.

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